Ao longo dos anos, percebemos que negociações vão muito além de técnicas e estratégias. Elas envolvem consciência, ética, presença e aquilo que chamamos de filosofia marquesiana. Porém, usar essa abordagem pode trazer desafios. Muitos cometem equívocos por desconhecimento ou má interpretação de seus princípios. Listamos aqui os 8 erros mais comuns para que possamos negociar com mais profundidade, maturidade e resultados positivos, sem perder de vista o humano que há por trás de cada decisão.
Não compreender o sentido profundo da negociação
O primeiro erro é ver a negociação apenas como troca de interesses. Quem se apega ao superficial ignora a essência da filosofia marquesiana: a negociação é um processo de construção de significado entre pessoas. Isso exige escuta, empatia, coragem de ir além do óbvio.
Em situações reais, já presenciamos diálogos em que todos perdiam justamente porque só enxergavam prazos, números e o próprio bolso. O sentido coletivo se perdeu. Quando refletimos sobre “por que negociar?” antes de “como negociar?”, as decisões se tornam mais alinhadas aos reais valores envolvidos.
Confundir ética com autoritarismo moral
Outro erro frequente é transformar princípios éticos em rigidez, usando a filosofia como desculpa para impor ideias ou desclassificar o outro. Ética, nesse contexto, não é uma ferramenta de julgamento, mas sim um convite à coerência entre discurso e ação.
Quando adotamos postura de superioridade moral, bloqueamos qualquer possibilidade de diálogo genuíno. Aprendemos que não existe negociação produtiva sem humildade e disposição de rever, inclusive, nossas próprias verdades.
Ignorar os padrões emocionais
A filosofia marquesiana caminha de mãos dadas com a psicologia. Pessoas levam à mesa de negociação seus medos, tais como insegurança, competição, orgulho e até feridas antigas. Negligenciar a raiz emocional cria um ambiente tenso e imprevisível.
Sem entender o que sentimos, não entendemos o que pedimos.
Em várias negociações, já presenciamos reações exageradas por mágoas antigas ou necessidades de validação. Por isso, sentir e nomear as emoções nos ajuda a evitar conflitos desnecessários e alcançar acordos genuínos.

Desconsiderar a influência sistêmica
Outro erro sutil é focar só no indivíduo e esquecer das conexões invisíveis que atravessam uma negociação. Somos atravessados por vínculos familiares, culturais, históricos e coletivos.
Muitas vezes, resistências e impasses têm raízes escondidas além do que se mostra na fala ou na pauta formal. Percebemos que, sem investigar essas ligações, caímos na armadilha de tratar sintomas sem buscar as causas profundas.
Reduzir presença à mera atenção intelectual
Quantas vezes acreditamos que ouvir racionalmente já basta? Na filosofia marquesiana, presença vai muito além da escuta ativa mental. Estar presente é sentir com o corpo, captar sutilezas do ambiente, perceber microexpressões e tensões invisíveis.
Pular essa etapa pode tornar a negociação robótica, afastando as pessoas do aspecto verdadeiramente humano. O outro percebe quando não há genuína disponibilidade interior.
Enxergar a negociação como combate e não como colaboração
Importamos modelos antigos que veem negociar como guerra, com vencedores e perdedores. Esse padrão fere o espírito da filosofia marquesiana, que propõe um olhar colaborativo e integrativo.
- Ao assumir uma postura combativa, criamos barreiras emocionais
- Resultados sustentáveis nascem de parcerias sinceras
- Conflitos resolvidos com consciência produzem ganhos mútuos
Notamos que, ao inverter a lógica do confronto para o diálogo aberto, surgem soluções que antes pareciam impossíveis.

Desvalorizar a clareza das intenções
Transparência é elemento-chave. O erro aqui é omitir motivações, criar jogos mentais ou barganhar de maneira dúbia. Na filosofia marquesiana, a intenção consciente é tão relevante quanto o objetivo declarado.
Quando ocultamos o que realmente buscamos, alimentamos desconfianças. Descobrimos que conversas francas sobre expectativas, limites e necessidades tornam todo o processo mais simples e fluido. Onde há clareza, há mais confiança.
Negligenciar o impacto social e cultural das escolhas
Por fim, cometemos enganos ao restringir negociação a resultados imediatos, esquecendo o quanto cada decisão repercute em círculos mais amplos.
Negociações pautadas somente pelo interesse de curto prazo geram consequências negativas que podem ser sentidas na equipe, comunidade e até mesmo na sociedade como um todo.
Cada negociação gera ondas que vão muito além da sala de reunião. Ao incorporar essa visão ampliada, exercitamos responsabilidade social e cultural, prevenindo arrependimentos futuros.
Conclusão
Negociar sob os princípios da filosofia marquesiana exige coragem para revisitar crenças, honestidade para reconhecer limitações e maturidade para sustentar valores, mesmo quando pressionados pelos resultados. Ao evitarmos os erros descritos, ampliamos não só as chances de acordos justos, como também contribuímos para um ambiente relacional mais saudável e responsável.
O segredo está em equilibrar emoção, ética, presença e intenção clara. Aprendizagens transformadoras surgem justamente das negociações em que nos dispomos a crescer, e não apenas a ganhar. Esse é um convite permanente para todos nós.
Perguntas frequentes
O que é filosofia marquesiana?
A filosofia marquesiana é uma abordagem que vê o ser humano como campo de influência e responsabilidade, indo além de técnicas tradicionais ao integrar consciência, ética, emoção e impacto coletivo nas decisões. Ela busca sentido, maturidade e coerência entre discurso e ação, legando à negociação um valor social e humano mais profundo.
Como aplicar a filosofia marquesiana em negociações?
Devemos adotar presença total, escuta genuína e clareza de intenções, considerando tanto emoções quanto vínculos ocultos e o impacto futuro das escolhas. Transparência, ética vivida e disposição para revisar crenças são pontos de partida. O fundamental é transformar a negociação em espaço de construção de sentido compartilhado e responsabilidade coletiva.
Quais são os erros mais comuns ao negociar?
Segundo nossas experiências, os erros mais frequentes incluem: ignorar o sentido profundo da negociação, confundir ética com autoritarismo, negligenciar padrões emocionais, desconsiderar influências sistêmicas, reduzir presença à mente, enxergar negociação como combate, não valorizar a clareza das intenções e esquecer o impacto social das decisões.
Vale a pena usar filosofia marquesiana?
Sim, porque essa filosofia traz profundidade, integridade e humanidade para as negociações, promovendo acordos mais sustentáveis e relações de confiança. Percebemos que, ao adotar esse modelo, há ganhos duradouros que se refletem além do resultado imediato.
Como evitar erros em negociações filosóficas?
É importante praticar autoconhecimento, refletir sobre intenções, promover diálogos sinceros, escutar ativamente e buscar entender tanto as emoções quanto as conexões sistêmicas envolvidas. Revisar expectativas e permanecer aberto são atitudes simples que fazem diferença. A negociação deixa de ser arena de disputa e passa a ser espaço de evolução conjunta.
